A Sala
Sua presença é como ar,
Eu sei que está ali, mas não enxergo.
Não importa quantos móveis você mudasse.
Tudo parecia incerto, desproporcional.
Em todas as paredes que a tinta escorria.
A verdade aparecia,
e fechavamos as cortinas.
Pra que a vizinhança não visse.
Eram lágrimas, suas e minhas.
Estar sozinha parecia ser a melhor escolha.
Pra nós dois.
Do que cedermos a infelicidade cotidiana.
Eu só conseguia sentir meu coração, quando a falta de ar vinha.
E só conseguia sentir cheiros, quando era da sua pele.
E só conseguia continuar, quando sabia que iríamos resolver.
Mas e se não tivesse conserto?
E se a goteira voltar com a chuva?
Ninguém da nossa família vai preencher.
Esse vazio entre nós.
Sempre achei que eu teria super poderes.
E eu tenho.
De criar buracos tão grandes, que a visão escurece, o amor cede e a presença falha.
Qual o poder do amor?
Se eu pedi tanto a Deus.
Oque é recomeçar?
Se eu não tenho sabedoria.
A morte parece mais silenciosa, que a nossa casa.
Mas é na sala que ela sempre nos recebe.
.
Comentários
Postar um comentário