O quarto sem saída

Escuro e frio, com um véu luminoso, seria como eu descreveria aquela noite. 
É como sonhar, são flashs, de barulhos, pessoas, mas que por algum motivo não me recordo do indivíduo.
Dizem que o álcool leva a muitos lugares, mas só depois daquela noite que descobri que leva pro quarto também. 
Se fosse culpa minha, por que aínda entro e bebo?
Por que ainda saio do bar?
Por que pego um Uber bêbada?
Por que paro naquele quarto? 
Por que acordo naquele momento?
Acordo no frio, me sentindo vazia, oca, com lágrimas que preencheriam um rio, e se debateriam contra você, como água contra a pedra, sem força. 
Por que comigo? Por que não consigo sair? 
O quarto não ficou mais claro quando parou, ele alagou, nunca mais foi o mesmo. 
Mas você nunca entenderia, você só abria a porta e me deixava entrar. 
Se eu não saísse as quatro, nunca mais sairia.

Isso não é sobre quartos nem álcool.

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