Me sinto vazia, me sinto, com medo, me sinto em cima de uma ponte novamente. Ciente de que aquilo no mundo era oque eu mais queria, que o frio na barriga me deixava em êxtase mas que somente isso não seria suficiente por que uma hora eu teria que atravessar e a sensação mudaria. Eu odeio despedidas, mas toda vez que te vejo não penso em como o fim seria, é literalmente mais sobre o processo do que o resultado. Sempre me imaginei no lugar das noivas entrando em igrejas ou fazendo cerimonia nas praias, mas acho que você só quis que fosse você quando viu que realmente não seria. Você me pergunta no fim qual foi minha intenção, o por que das minhas escolhas, e oque sinto. Mas seu único e real questionamento é por que não você. Imaginei você me pedindo pra parar, não subir, não pular, ter cuidado ou te escolher. Mas você não faria isso, nunca subiria em uma ponte se eu não pedisse, você tem medo de altura. É assim que se constrói sonhos, quando...
Sua presença é como ar, Eu sei que está ali, mas não enxergo. Não importa quantos móveis você mudasse. Tudo parecia incerto, desproporcional. Em todas as paredes que a tinta escorria. A verdade aparecia, e fechavamos as cortinas. Pra que a vizinhança não visse. Eram lágrimas, suas e minhas. Estar sozinha parecia ser a melhor escolha. Pra nós dois. Do que cedermos a infelicidade cotidiana. Eu só conseguia sentir meu coração, quando a falta de ar vinha. E só conseguia sentir cheiros, quando era da sua pele. E só conseguia continuar, quando sabia que iríamos resolver. Mas e se não tivesse conserto? E se a goteira voltar com a chuva? Ninguém da nossa família vai preencher. Esse vazio entre nós. Sempre achei que eu teria super poderes. E eu tenho. De criar buracos tão grandes, que a visão escurece, o amor cede e a presença falha. Qual o poder do amor? Se eu pedi tanto a Deus....
Hoje ouvi do meu dentista que tudo é fase. Da seguinte forma entendi que é fase: Ter 10 anos e querer um brinquedo, Ter 15 e querer ter 18. Ter 18 e querer ter liberdade. Ter 25 e liberdade mas se sentir perdida. Ter 30 e querer ter 15. Ter 35 e querer um amor. Ter 40 e querer ter estabilidade. Ter 50 e querer ter saúde. Ter a vida, sem viver ela por querer algo. Ter a morte, sem ansia-la ciente que chegara. Eu só consegui entender que a todo momento querermos ter algo, mas é esse o momento que precisamos? Por que não querer algo que tanto quer? E por querer algo que não quer a gente? Por que não apreciar a fase? No fim meu dentista estava certo, era só uma cárie que precisava ser restaurada pra não virar um canal.
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