Um átomo, quase feliz

Um átomo ínfimo, na invisibilidade do ar.
Pra dentro da mulher era um sem fim,
o pouco que tinha lhe servia para a felicidade.
Pra dentro da mulher, que caía.

E no cair, nada se via, ninguém ouvia. 
um silêncio antigo que só ela entendia.
Guardava no peito tempestades mansas,
e na pele, o tremor do que ainda nascia.

Era tão pequena diante do mundo,
mas era imensa quando amava.
Seu corpo, cais de delicadezas;
seu olhar, casa onde o tempo parava.

E ali, entre o tudo e o nada,
entre o sopro e a eternidade,
ela acolhia o átomo, o mínimo,
e o transformava em verdade.

Porque dentro cabia o universo,
coberto de luz e cicatrizes,
onde até o menor fragmento de vida
tinha força para criar raízes.

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