Me afundei em tempestades

Como um pequeno barco, 
em um grande oceano. 
A comida acabando, 
a previsão de chuva. 

De frio e cede não se morre o peixe. 
De sol e água não morri afogada. 
E quando anoitece é mais fácil fechar os olhos. 
Do que enchergar os mistérios da água. 

E se o barco for no centro da cidade?
E se eu afundar na minha casa? 
Quem encontraria meu corpo? 
Qual causa de morte dava? 

E a maior ironia é que eu sei nadar. 
Mas não sei pra onde ir.
Não adianta boiar, não adianta nadar. 
Mesmo se afundar
A morte vem buscar. 

Não adianta esperar, um salva vidas. 
Nem ilusionar terra a vista. 
É mais fácil encontrar o vazio. 
É mais fácil existir do que tentar. 

E quando o barco não virar em tempestades. 
Você vai perceber que nela teve muito a perder. 
E quando você não conseguir ir. 
O tempo vai levar você. 

Um pequeno barco, em um grande oceano.
A comida acabando e a previsão é de chuva. 


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