quando o álcool passar, ainda não terei as chaves.

A única coisa que me acalma o peito é a nicotina ou o álcool. 
Me vejo enjaulada em um espaço escuro onde todos falam que eu deveria sair. 
Mas ninguém me dá a chave. 
Não importa o quanto eu grite, chore ou implore. 
É somente a mim mesma que terei ali. 
Oque não é muito, pra quem não enxerga nada. 
Pra quem não escuta nada. 
Pra quem não sente ou não quer sentir mais nada. 
A única coisa que me acalma, mas é temporária. 
E toda vez que consumo celebro por que pode ser o último. 
Estou em paz pra ir embora. 
Quanto hipocrisia aceitar a morte de braços abertos. 
E não resistir quando a vida quer brincar. 
Quando a anestesia passar tudo volta. 
Quando ela voltar, um de nós contará a história. 

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